Dra. Cínthia Ribas Martorelli

Dra. Cínthia Ribas Martorelli

Nefrologista

  • Médica Veterinária graduada pela Universidade de Guarulhos (UnG)
  • Residência em Clínica Médica de Pequenos Animais na Universidade de Guarulhos (UnG)
  • Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP), com ênfase em nefrologia e urologia de cães e gatos
  • Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP), com ênfase em nefrologia e urologia de cães e gatos
  • Docente da Faculdade de Medicina Veterinária de Santo Amaro (UNISA)
  • Coordenadora do Curso de Especialização de Nefrologia e Urologia de Cães e Gatos na ANCLIVEPA-SP

Doença renal crônica em cães e gatos

O que é?
A doença renal crônica (DRC) pode ser definida pela presença de lesão renal funcional e estrutural em um ou ambos os rins. Pode ser de origem primária ou secundária. A causa primária muitas vezes não é conhecida. A DRC primária acomete animais jovens, também denominada como doença renal crônica juvenil, a qual pode ter origem familiar (acomete mais de um membro da família), hereditária (presença de defeito no material genético) ou congênita (que ocorre ao nascimento ou na vida intrauterina). Entretanto, a doença renal crônica (secundária) é mais frequente em cães e gatos de meia-idade a idosos, principalmente devido ao aumento da expectativa de vida dos nossos animais de companhia.

A doença renal crônica é progressiva e irreversível, a qual é dividida em 4 estágios, de acordo com os valores de creatinina sérica (Quadro 1). Esse estagiamento é utilizado para avaliar a gravidade da DRC, onde quanto mais cedo for o diagnóstico de doença renal crônica, maior sucesso na terapia será obtido, ou seja, retardar a progressão da mesma oferecendo qualidade de vida ao animal.

Quadro 1. Estagiamento da doença renal crônica (DRC) proposto pela International Renal Interest Society (IRIS, 2013).

Quadro 1. Estagiamento da doença renal crônica (DRC) proposto pela International Renal Interest Society (IRIS, 2013).

Quais sintomas podem ser observados em animais com doença renal crônica?
Os primeiros sintomas a serem observados são emagrecimento progressivo, aumento da frequência de micção (e em maior volume), aumento da sede, perda do apetite e halitose.

Como fazer o diagnóstico de doença renal crônica?
O diagnóstico de doença renal crônica é realizado a partir do exame de sangue, exame de urina e exame ultrassonográfico, associado ao histórico, anamnese e exame físico.

Como tratar?
Infelizmente até o momento atual não existe uma terapia específica e curativa para a doença renal crônica em cães e gatos. Assim, o tratamento é conservativo, com o objetivo de manter a qualidade de vida do animal e retardar a progressão da doença. O tratamento consiste em mimetizar as funções dos rins que são perdidas ao longo do tempo. Dessa forma, a terapia de manutenção consiste em(1) amenizar as manifestações clínicas gastrointestinais secundárias a uremia (tais como perda de apetite, náusea e vômito); (2) controle do equilíbrio hídrico e eletrolítico (sódio, potássio, cálcio e fósforo); (3) controle do equilíbrio ácido-base; (4) evitar e controlar a hiperfosfatemia (aumento da concentração sérica de fósforo), a fim de prevenir o hiperparatireoidismo secundário renal; (5) investigar, monitorar e tratar a deficiência de eritropoietina, que pode acarretar em anemia; (6) oferecer suporte nutricional adequado; (7) controle da pressão arterial sistêmica e (8) da proteinúria de origem glomerular.

O prognóstico é dependente do momento do diagnóstico da DRC, das complicações associadas, da presença de doenças concomitantes e da dedicação do proprietário.

 

 

Nutrição em cães com doença renal crônica

Cínthia Ribas Martorelli

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Nos cães e gatos com doença renal crônica no estágio 3 e 4 (que

compreende valores de creatinina sérica acima de 2,0mg/dL) é indicado o uso

de dieta específica para a doença renal crônica. O objetivo é retardar a

progressão da doença renal crônica e prevenir as manifestações clínicas

causadas pela uremia.

A introdução da nova dieta deve ser realizada gradualmente, entretanto é

necessário o tratamento da nausea e a gastrite que podem acompanhar os

pacientes com doença renal, pois podem ser causadores da diminuição do

interesse pela alimentação.

A dieta desenvolvida para cães com doença renal crônica é caracterizada

por apresentar alta densidade calorica, quantidade reduzida de fósforo (já que a

hiperfosfatemia é uma complicação importante da doença renal crônica) e

reduzida de sal, maior nível de ômega-3, fibras e vitamina D. Além disso, tal

dieta tem como objetivo promover uma neutralização no pH sanguíneo, com o

intuito de evitar o desenvolvimento de acidose metabólica (redução do pH

sanguíneo associado a diminuição no valor de bicarbonato sanguíneo). A

proteina deve ser de alto valor biológico, ou seja, que tenha bom aproveitamento

pelo organismo do animal, pois uma das complicações da doença renal crônica

é a perda de massa muscular e, consequentemente, perda de peso corpóreo.

Atualmente existem opções de dieta comerciais, ou uma outra opção é

consultar um nutrologo veterinário a fim de prescrever uma dieta caseira com a

formulação adequada para cada estágio da doença renal crônica.

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Um outro ponto fundamental na dieta do cão doente renal crônico é

estimular a ingestão hídrica, a qual pode ser realizada por meio da adição de

cubos de gelo na água; aumento da frequência de troca de água; aumentar o

número de bebedouros em casa; uso de recipientes que mantenham a água fria

por mais tempo, como potes de alumínio, vidro ou aço inox. O uso de fontes de

água também pode ser interessante. Além disso, a adição de água na

alimentação também pode ser benéfica, como o uso de ração úmida.

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Dessa maneira, a dieta e a ingestão de água são etapas extremamente

importantes no tratamento da doença renal crônica, a fim de retardar a

progressão da mesma, oferecendo os nutrientes necessários e adequados.

Ainda as manifestações clínicas que diminuem o apetite também deve ser

amenizada, a fim de maximizar a ingestão da dieta mais adequada, para

promover maior qualidade de vida desses pacientes.

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